Deixar de ser um trabalhador da enxada para ser um pensador da microeconomia agrícola. É o que buscam os 40 alunos do curso técnico em Agropecuária com ênfase em Agroecologia que se formarão nesta sexta-feira (14), em Cantagalo (PR). O curso é financiado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).
Esta terceira edição do curso já formou cerca de 120 alunos. No Paraná a autarquia firma parcerias com universidades ensinando técnicas de agroecologia em cursos de nível médio. Também atua na formação de professores, em nível superior, para atuação na educação do campo. São ministrados, ainda, cursos de residência agrária, com a formação de especialistas para trabalhar na assistência técnica da agricultura familiar.
Para a formação de técnicos de nível médio, o Incra firma convênios com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), por meio da sua fundação (Funpar), e com centros de treinamento de trabalhadores rurais, como o Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (Ceagro). Para a formação destes 40 alunos foram investidos R$ 373 mil, sendo que R$ 298 mil foi investimento do Incra e o restante, contrapartida da Funpar.
Para o superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, a formação de técnicos que trabalhem na mudança tecnológica dos assentamentos do estado está dentro de um plano de trabalho que o Incra construiu juntamente com diversos atores da reforma agrária. Para Lacerda, a produção leiteira à base de pasto é uma das inovações discutidas no curso e podem viabilizar os assentamentos da reforma agrária.
“O modelo convencional, à base da ração, só é viável se houver produção em alta escala, o que não se aplica nas pequenas propriedades”, diz. De acordo com Lacerda, o preço de custo de um litro de leite à base de pasto é de R$ 0,14, enquanto à base de ração, gasta-se cerca de R$ 0,35. “Considerando que o preço médio de venda do leite é de R$ 0,45, a produção à base de pasto é mais vantajosa e os cursos pretendem justamente mostrar essas novas técnicas a fim de permitir a permanência dos agricultores no campo”.
O curso de agroecologia, com duração de dois anos, é realizado em regime de alternância, com 60 dias passados na escola e 90 na comunidade. Com isso, os alunos adquirem os conhecimentos na sala de aula e colocam em prática na comunidade. Os profissionais saem capacitados para auxiliar na melhoria da condição de vida dos assentados, incrementar a produção e proteger o meio ambiente.
|