O setor agroindustrial brasileiro, que através de suas diversas associações produtivas por cadeia agropecuária, controlam as diversas fases do sistema produtivo, principalmente, das cadeias agropecuárias com grande espaço no setor exportador brasileiro, está avançando ainda mais na qualificação e preparação de suas intervenções no mercado mundial.
Recentemente foi criado um instituto de pesquisa e analise estratégica para o setor agroindustrial e comercial brasileiro, conhecido como agronegocio. O principal objetivo desse instituto é preparar as associações agroindustriais e agroempresarias para as pressões internacionais por parte dos consumidores mundiais, mas também dos concorrentes internacionais nas questões econômicas, sociais e principalmente ambientais, inicialmente nas cadeias agrícolas e pecuárias de: algodão, soja, milho, laranja, café, cana, carnes (de frango, bovina e suína) e madeira. Ou seja, a idéia principal é ainda vender a responsabilidade social acompanhada por questões de sustentabilidade nessas produções, para diminuir as resistências hoje crescentes dos produtos brasileiros no mercado mundial, principalmente Europa e Estados Unidos, que são os grandes mercados consumidores para os produtos agropecuários brasileiros ao lado da China e Rússia.
Tais resistências são conhecidas no jargão das negociações internacionais como barreiras não-tarifarias. Segundo o presidente da nova entidade e atual presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, em matéria publicada no jornal Valor Econômico, o agronegocio não pode deixar de perceber as movimentações mundiais, pois segundo Lovatelli “se não atendermos ao tripé da sustentabilidade ficaremos à margem do mercado a médio e longo prazos” e dessa forma o instituto ARES “é muito importante para melhorar a imagem do agronegocio”.
Segundo o instituto de pesquisa ICONE, que faz parte do novo instituto e assessora o setor do agronegocio, existem dez temas prioritários na agenda do ARES para as cadeias agropecuárias, acima citadas. Os temas são:
a. “questões trabalhistas e relacionadas à terceirização”;
b. “agricultura familiar, desalojamento econômico e segurança alimentar”;
c. “relacionamento com a sociedade civil organizada, ONGs, processos multistakeholders, rastreabilidade, verificação, certificação e selos”;
d. “conversão de ecossistemas”;
e. “impactos ambientais, como OGMs, uso de agroquímicos e manejo de pragas, impactos no solo e plantio direto”;
f. “resíduos em alimentos e sanidade animal”;
g. “emissões de gases com efeito estufa, balanço energético e biocombustíveis”;
h. “ordenamento fundiário, legislação ambiental e monitoramento”;
i. “conflitos intra e inter sistemas agroindustriais, integração lavoura-pecuária e adição de valor”;
j. “comércio internacional e sustentabilidade”.
São vários os agrupamentos de associações que se organizam através dessa nova organização denominada “Instituto para o Agronegocio Responsável” – ARES. Entre as organizações que integram e são fundadoras do Instituto ARES, estão organizações ligadas às cadeias agropecuárias, pesquisa e lobby e associações e organizações de agricultores. Entre as 15 entidades fundadoras do “Instituto para o Agronegocio Responsável” – ARES estão: Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Associação Brasileira das Indústrias de Milho (Abimilho), Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Associação Nacional de Difusão de Adubos (Anda), Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Associação dos Produtores de Soja do Estado do Mato Grosso (Aprosoja), Brazilian Specialty Coffee (BSC), Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Sociedade Rural Brasileira (SRB) e União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).
As organizações de agricultores familiares, que têm na Fetraf uma de suas representações mais legitimas, são colocadas na posição de reagir a complexidade cada vez maior do comercio internacional e suas regras que determinam não só o que deve ser produzido, mas como deve ser produzido. O “Instituto para o Agronegocio Responsável” – ARES vem nesse sentido incorporar as demandas internacionais e através disso inserir as questões referentes à relação com os (as) agricultores (as) familiares na estrutura das grandes corporações agroindustriais, intensificando com isso a integração dos agricultores (as) familiares no sistema agroindustrial e empresarial.
Ou seja, a Fetraf, entre outras organizações de agricultores familiares, terá o desafio de avançar conceitualmente na construção e execução de modelos agrícolas sustentáveis, mas também do aprofundamento teórico e técnico nas criticas aos modelos hoje vigentes.
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